Mulheres e minorias étnicas na computação

Com o passar das décadas, a importância da diversidade tem sido cada vez mais reconhecida e valorizada em nossa sociedade, e, consequentemente, diversas áreas têm se tornado mais inclusivas. No entanto, infelizmente, esse progresso não se estendeu à área da computação, que continua sendo marcada por uma falta de diversidade de gênero e de minorias étnicas.


Segundo um estudo realizado pelo Instituto AnitaB.org[1] em 2020, apenas 28.8% dos profissionais de tecnologia são mulheres e mesmo com um crescimento constante de 4.96% ao ano, ainda levaria 12 anos para chegarmos a uma representação igualitária de mulheres contratadas. Outros dados levantados pelo site Statista[2] mostram que entre 2007 e 2020, mulheres ocupavam apenas 25% dos cargos relacionados à computação nos EUA, e dentro desse grupo 13% eram mulheres brancas.


Esses dados mostram a grande dificuldade de mulheres ingressarem na área da computação, e por ser uma área com pouca diversidade e inclusão isso também interfere nos processos de contratação. Em um artigo publicado pela revista Wired[3], foi observado que durante as entrevistas de recrutamento foi criado um ambiente hostil e os recrutadores, que eram homens, fizeram diversas piadas sexistas em frente às candidatas. Outro motivo apontado no artigo é a falta de presença de mulheres nas entrevistas ou processos seletivos, e nas poucas ocasiões em que estavam presentes elas não tinham um papel ativo para falar com os candidatos, sendo limitadas a falar sobre a empresa e sua cultura enquanto os homens tomavam a frente para falar sobre as partes técnicas e desafiadoras do trabalho realizado na empresa.


Um outro exemplo dessa realidade é mostrado no filme “Estrelas Além do Tempo”, que conta a história de de três mulheres negras que trabalhavam na NASA durante a corrida espacial da década de 1960, que foram responsáveis por calcular as trajetórias de lançamento de foguetes e por trazer inovações fundamentais para a tecnologia da época. O filme mostra o racismo e machismo que essas mulheres sofreram ao tentarem se inserir em um campo dominado por homens brancos, e podemos ver que esse cenário, infelizmente, ainda persiste nos dias atuais.  


Apesar da situação atual não parecer promissora, existem iniciativas que estão ativamente tentando mudar essa realidade e tornar o campo da computação mais inclusivo e diverso. Um exemplo disso é a Girls Who Code, uma organização sem fins lucrativos que visa capacitar e inserir no mercado de trabalho mulheres e minorias étnicas, e de pessoas desses grupos que são de baixa renda.


Projetos como o Girls Who Code são cruciais para a área da computação, já que promovem a inovação, o progresso e a igualdade de oportunidades. Além disso, são fundamentais para criar uma indústria de tecnologia mais inclusiva e bem-sucedida, na qual todas as pessoas possam participar e contribuir para o avanço da área e dessa forma, poderemos garantir que a tecnologia continue avançando e atendendo às necessidades de uma sociedade cada vez mais diversa e tornando-se mais apta a desenvolver soluções para os desafios do mundo real.




Referências: 

[1] https://anitab.org/research-and-impact/top-companies/2020-results/

[2] https://www.statista.com/statistics/311967/us-women-computer-workers-ethnicity/

[3] https://www.wired.com/story/why-are-there-few-women-in-tech-watch-a-recruiting-session/

[4] https://girlswhocode.com/about-us

 

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